Eliminado do futebol, meia roda o Brasil no amador e sonha com retorno: “Tempo curou minha ferida”

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Crédito/fonte: Globo Esporte

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Eliminado do futebol, meia roda o Brasil no amador e sonha com retorno: “Tempo curou minha ferida”

 

 

Condenado por manipulação de resultados na operação Penalidade Máxima em 2023, Gabriel Tota, ex-Juventude e Mirassol, mantém esperança de voltar ao futebol profissional: “Não vou desistir”

 

Calçar o meião e colocar as chuteiras segue um hábito comum na rotina de Gabriel Tota. Eliminado do futebol profissional pela Fifa por envolvimento em manipulação de resultados, descoberto na operação Penalidade Máxima em 2023, o meia ex-Juventude e Mirassol se transformou em um “peregrino” do futebol amador e roda o Brasil para participar de campeonatos. O jogador cruza estados e histórias em busca de um novo propósito e de uma segunda chance.

 

Tota foi eliminado do esporte, e não banido. Com isso, a punição pode ser revista após completar dois anos, o que aconteceu em junho. Em entrevista ao ge, ele afirmou que vai tentar um recurso na Justiça para manter o sonho de voltar ao futebol profissional.

 

 

O ex-Juventude e Mirassol descreveu a nova rotina itinerante, que tem até três partidas jogadas em um mesmo fim de semana. Admitiu ter se envolvido com manipulação de resultados por causa da falta de orientação. Revelou que a punição abalou a saúde mental dele e da família. Contou que trabalhou vendendo joias e como motoboy para garantir o sustento da mãe.

 

— Eu sofri bastante e com certeza eu me arrependi. Foi o pior erro da minha vida, da minha carreira. Muitas pessoas sonham com isso e eu demorei muito para conseguir esse sonho. Não foi fácil ser profissional, como muitos jogadores sabem. Mas já que tudo isso aconteceu, eu parei, refleti e tirei esse tempo para mim, amadureci, procurei orientações e agora me tornei uma pessoa melhor. Tenho fé em Deus que eu vou voltar a jogar profissional e mais preparado — afirmou.

 

 

“Nesse tempo todo eu me recuperei. Coloquei minha cabeça no lugar, porque eu vi o erro que eu tinha cometido. Aquilo não é da minha índole. O tempo também curou a minha ferida”, acrescentou.

 

Tota teve o primeiro destaque na carreira na Copa São Paulo de Futebol Júnior de 2022 com a camisa do Mirassol. Depois, se transferiu para o Juventude e jogou na Série A.

 

Em 2023, quando estava emprestado ao Ypiranga de Erechim na Série C, foi impedido de jogar futebol profissional por envolvimento no escândalo de manipulação de partidas em um esquema ilegal que deu origem à Operação Penalidade Máxima, deflagrada pelo Ministério Público de Goiás.

 

De acordo com as investigações, o meia aliciava companheiros de clube por intermédio de apostadores. Entre os casos investigados, está a promessa de pagamento de R$ 60 mil e R$ 50 mil para que um dos jogadores do clube gaúcho fosse punido com cartão amarelo nas partidas Juventude x Fortaleza e Goiás x Juventude, respectivamente, pela Série A do Brasileiro de 2023.

 

As punições, a princípio, se restringiam ao território nacional, sob jurisdição do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). A pedido da CBF, a Fifa analisou os casos e decidiu pela extensão das punições a todas as federações filiadas à entidade. Além de Tota, o atacante Ygor Catatau, o goleiro Matheus Gomes, o volante Romário e o lateral Diego Porfírio foram eliminados do futebol, sem poder defender equipes profissionais em qualquer país.

 

 

Ao revisitar o passado, Gabriel afirma que, mais do que a quantia que receberia com o esquema, o que pesou para que se envolvesse com a manipulação foi a falta de orientação.

 

— Naquele momento, eu também não sabia que eu estava prejudicando minha vida, a minha carreira, não sabia das consequências que poderiam vir. Acho que se eu soubesse, se eu tivesse orientação, em nenhum momento eu faria isso. Eu não correria o risco de perder minha carreira por causa de um dinheiro, independente se era muito, se era pouco — declarou.

 

 

— Isso é algo que não vai agregar nada na sua vida, é momentâneo. Da mesma forma que você pode ganhar 20, 30, 50 mil jogando no profissional, você pode ganhar o triplo disso. Mas nem tudo é sobre dinheiro, é sobre seu valor, sua pessoa, seu caráter. Foque no seu objetivo, que é jogar futebol. E não deixe nada subir para a sua cabeça, porque eu acredito que isso só tende a prejudicar — aconselhou.

 

Nova fase: jogos em vários estados

Desde que sofreu a punição, Gabriel Tota se mobilizou para encontrar uma nova forma de levar a vida. Segundo ele, o objetivo maior era ajudar a família a se sustentar.

 

— No começo foi muito mais difícil. Eu tive que lidar com as críticas, com toda a saudade de fazer aquilo no qual eu estava acostumado, que é jogar futebol profissional, viver aquela rotina. Afetou muito a minha saúde mental, minha vida pessoal também. Eu dependia daquilo para ajudar a minha família. Minha mãe sempre foi sozinha — contou.

 

A principal alternativa encontrada por ele foi o futebol amador. Ainda em 2023, o meia passou a frequentar torneios em vários estados do Brasil e se tornou um “peregrino” da bola.

 

— A semana toda eu trabalho e me preparo para no final de semana fazer meus jogos. Eu viajo, geralmente para Goiás, Espírito Santo, interior de São Paulo, São Paulo capital, Minas Gerais. Eu procuro trazer uma renda para também poder ajudar em casa, minha família, porque depende de mim também, minha mãe é sozinha — explicou.

 

Como a maioria dos torneios amadores tem partidas aos finais de semana, Gabriel chega a disputar de dois a três jogos entre sábado e domingo. Perguntado pelo ge sobre a quantidade de times com quem tem contrato atualmente, Tota admitiu: “não faço ideia”.

 

 

Um dos clubes defendidos pelo meia é o Paranaíba Esporte Clube, que disputa o Campeonato Regional da Liga Patense de Futebol, em Patos de Minas, no interior de Minas Gerais. Em 2023, ele foi campeão do torneio.

 

Na estreia na edição deste ano, no dia 2 de agosto, Gabriel marcou o gol do time no empate em 1 a 1 contra o Nacional de Serra do Salitre em Carmo do Paranaíba.

 

Questionado sobre a situação financeira atual dele, Gabriel afirmou que está em condição “estável”, mas que precisou buscar outras formas de renda além do futebol amador.

 

“Comecei a vender joias, trabalhei de motoboy, agora também estou jogando no amador. Hoje eu consigo ajudar um pouco em casa, comprar uma coisa para mim, graças a Deus eu estou conseguindo viver”

— Mas o meu sonho mesmo é voltar a futebol profissional. Eu estou me movimentando para recorrer agora que completaram os dois anos. Tenho certeza de que neste ano ainda, eu vou ter uma resposta positiva e se Deus quiser, voltar ao profissional. Porque é meu sonho e eu não vou desistir dele — completou.

 

Início promissor: brilho na Copinha

Natural de Santa Fé do Sul, no interior de São Paulo, Gabriel Tota passou pelas categorias de base de Novorizontino e Rio Preto até chegar ao Mirassol em 2021. No Leão, brilhou na campanha que levou o time às quartas de final da Copa São Paulo de Futebol Júnior de 2022, com três gols e três assistências em sete jogos.

 

No mesmo ano, se transferiu para o Juventude e atuou no Campeonato Gaúcho e na Série A do Campeonato Brasileiro. Ao todo, foram 13 jogos pelo time de Caxias do Sul, com um gol marcado no estadual.

 

Com pouco espaço no clube, ele foi emprestado ao Ypiranga de Erechim para jogar a Série C. Após apenas três partidas, no entanto, foi afastado do time por causa das investigações e não voltou mais ao futebol profissional.

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